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Héber (e Elisa)

Posted in O Universo by elcio on the September 11th, 2007

Já que tem um monte de gente me escrevendo para perguntar, vou publicar aqui. Meu filho nasceu. Estou offline desde quinta-feira passada. Ele teve algumas complicações e passou uns dias na UTI, mas agora ele está em casa e já está tudo bem. Naturalmente, estou felicíssimo e não consigo descrever aqui as coisas que sinto.

A partir de amanhã devo voltar à rotina normal de trabalho, e vocês vão voltar a me ver online. Já no Twitter vou demorar um bocado a aparecer porque tenho uma boa quantidade de trabalho acumulado desses dias que passei no hospital.

Na foto, meus dois tesouros, Elisa e Héber:

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Criacionismo e Design Inteligente

Posted in O Universo by elcio on the May 16th, 2007

Ontem falei sobre criacionismo. Hoje, um pouquinho sobre design inteligente.

Design inteligente é a constatação de uma evidência científica. A de que a natureza apresenta sinais de planejamento. A idéia é que, se você observar sem preconceitos, vai notar que há muitos sistemas na natureza que são tão complexos e interdependentes que não poderiam ter surgido por acaso. Basicamente, é isso. O movimento ganhou um bocado de força depois que o bioquímico Michael Behe publicou “A Caixa Preta de Darwin”, cujos argumentos ainda não foram devidamente refutados.

Aqui há muita confusão. Como eu disse ontem, as motivações de alguém não refutam seus argumentos. Veja, por exemplo, a refutação do criacionismo feita pela Wikipedia (vou copiar aqui porque, você sabe, é um wiki, pode estar melhorado amanhã):

  1. O Criacionismo não pode ser considerado como uma ciência, nem sequer uma teoria. Uma teoria requer análises, estudos, testes, experiências, modificações e, finalmente, adequações. Uma teoria evolui com o decorrer do tempo, à medida que o ser humano amplia seus conhecimentos e suas descobertas. Naturalmente, a Ciência, no sentido usado nesse contexto, não pode nem afirmar nem negar que o Criacionismo seja verdadeiro - é não-falseável e portanto não científico;
  2. A Evolução é uma estrutura teórica, ainda que incompleta, mas bem definida, colocada pela ciência para ser discutida, preenchida e alterada; ao passo que, o Criacionismo é constituído de uma multiplicidade de idéias, sem uma unidade estabelecida, criadas pelas centenas de religiões e mitos hoje existentes ou que já existiram outrora, o que, a bem da verdade, pode ou não caracterizar uma essência e uma origem comum para tais idéias;
  3. A Evolução é uma teoria fundamentada em achados fósseis concretos ou em experiências bio-genéticas realizadas, enquanto que o Criacionismo é abstrato, indemonstrável e desprovido de bases científicas;
  4. Os argumentos neocriacionistas, que utilizam recentes descobertas da ciência, de uma forma geral, seriam falácias que poderiam provar a veracidade de qualquer crença, seja ela judaico-cristã, muçulmana, hinduista, umbandista, pagã, animista ou de qualquer outra mitologia;
  5. O Evolucionismo esforça-se em buscar explicações para os eventos da natureza; enquanto que o Criacionismo esforça-se em adaptar os eventos da natureza à sua visão de mundo.

Vamos pensar um pouquinho em cada um desses pontos:

  1. É só isso? O Criacionismo não é falseável, portanto não é ciência. Ponto? Ninguém vai dizer porque o Criacionismo não é falseável, ou porque o Evolucionismo é? Se você entendeu porque o autor diz que o Criacionismo não pode ser considerado uma teoria, por favor, explique em palavras que nós, leigos, possamos entender.
  2. Aqui entram movimentos como o do Design Inteligente. Lembre-se, as motivações de alguém não refutam seus argumentos. A tese de Behe e seus comparsas é de que a melhor explicação para a existência de certos sistemas naturais é a de que eles foram projetados por alguém. Mais sobre isso aqui. Note que Behe não é criacionista. Ele não acredita literalmente na história bíblica da Criação. A despeito disso, a refutação das idéias de Behe geralmente são do tipo “ah, isso é baboseira religiosa”. Se é baboseira, então não deve ser difícil refutá-la. A idéia de Behe é uma “estrutura teórica” baseada no observação dos fatos. Independente de ele ser religioso ou não, ele merece uma resposta lógica.
  3. Você tem certeza disso? De que achados exatamente estamos falando? Da Lucy? Do tiktaalik? Do archaeopteryx? Do diatomyidae? (Estou me esforçando para não citar o Celacanto.) Veja só, quanto tempo levaria para uma espécie de réptil se transformar em ave? Milhares de gerações? Milhões de anos? Há milhões de fósseis de répteis e aves. Há fósseis incrivelmente preservados. Há milhares de esqueletos inteiros já descobertos. Não deveria haver milhões de fósseis de transição? Não deveria ser apenas começar a escavar para encontrá-los aos milhares?
  4. Dizer que um argumento é uma falácia é fácil, mas não significa nada. Por que são falácias? São falácias simplesmente porque poderiam provar qualquer crença? E poderiam mesmo. O que a Natureza mostra é que as coisas como são devem ter sido planejadas por algum tipo de inteligência. Mas não é papel da Ciência passar daqui.
  5. Novamente a pergunta: será mesmo? O que tenho visto é um pouco de parcialidade dos dois lados. Muito debate a respeito da credibilidade do outro, da influência de sua visão de mundo em seus argumentos, e muito pouco sobre os argumentos em si.

Fatos sobre o Criacionismo

Posted in O Universo by elcio on the May 15th, 2007

Sou criacionista. Muitas pessoas me perguntam uma porção de coisas diferentes sobre esse assunto, e tenho lido algumas aberrações por aí, o que me motivou a escrever este post.

Um criacionista é um sujeito que acredita na história bíblica da criação do mundo. Não como uma metáfora, mas literalmente. Deus realmente falou, e as coisas realmente apareceram, em seis dias literais, há coisa de seis ou dez mil anos. A despeito do que possa parecer à primeira leitura, o criacionista não rejeita o conhecimento científico (ou pelo menos pensa que não, você é quem vai julgar.)

Fato 1: as motivações são, sim, filosófico-religiosas. Pronto. Você não precisa me acusar de ter motivações religiosas, eu já assumi. E quem não tem motivações de origem filosófica ou religiosa? Você acha que um astrônomo bright ou um biólogo materialista qualquer também não tem motivações filosófico-religiosas? Ou seria melhor dizer anti-religiosas?

Fato 2: a despeito das motivações, é sim uma questão de lógica e raciocínio. O fato de eu querer que dois e dois sejam cinco não pode me fazer acreditar que dois e dois são cinco. Há quem subverta a lógica e as evidências por conta de suas próprias motivações, tanto do lado criacionista quanto do lado evolucionista. Mas não podemos generalizar, nem descartar os argumentos uns dos outros baseados no fato de conhecermos nossas motivações. Se você me diz que pavões e joaninhas têm um ancestral comum, não vai querer que eu o ignore e responda: “bah, você diz isso porque é materialista e quer acreditar nisso.” Então, se eu te disser que eles não têm um ancestral comum, não me ignore só porque sou criacionista. É claro que eu quero acreditar na história da Bíblia. Mas vamos tentar nos ater aos fatos.

Fato 3: criacionistas sabem mais sobre a evolução do que você imagina. Nós sabemos que Darwin não disse que os homens vieram dos macacos, mas que eles teriam um ancestral comum. Ainda ouvimos de muita gente por aí argumentos como: “se é assim, por que os macacos não continuam virando gente hoje em dia?” Calma, não é com esses que você está lidando, tá legal?

Fato 4: criacionistas não rejeitam completamente a evolução. É claro que a seleção natural existe e funciona. E pode nos dar bactérias resistentes a antibióticos ou novas raças de cães. Dizer que leões e tigres, ou cavalos e zebras, ou cachorros e lobos têm um ancestral comum é uma coisa. Dizer que cachorros tem um ancestral comum com samambaias é outra. A microevolução existe e é um fato simples de se comprovar. A macroevolução, que transforma uma espécie em outra, é uma idéia interessante, mas sem evidências reais que a sustentem.

Fato 5: quem tem razão não tem medo do debate. Geralmente, quando a gente fala do assunto, obtém uma porção de argumentos do tipo “isso é um absurdo”, e muito pouco fato. Coisas como “todo mundo sabe que” e “criacionistas não são cientistas sérios” e “você realmente acredita nisso” não acrescentam nada ao debate. Fatos e evidências seriam muito mais interessantes. Se a evolução geral é, como dizem, uma lei natural, devem haver evidências em abundância, e não deve ser difícil refutar os argumentos criacionistas com bons fatos.

Fato 6: o objetivo do debate não é convertê-lo. É trocar conhecimento. Talvez eu seja criacionista porque sei alguma coisa que você não sabe, e talvez você seja evolucionista porque sabe alguma coisa que eu não sei. Pode até acontecer de um acabar convencendo o outro mas, se isso não acontecer, o que é muito provável, vamos ter aprendido alguma coisa. O objetivo também não é provar o criacionismo. Na verdade, só o que quero é que você, ao dizer que a evolução é uma “lei irrefutável” e que o criacionismo é uma baboseira anti-científica, saiba dizer porquê.

Fato 7: nem todos os bons cientistas são evolucionistas. Pelo contrário, há um bom número deles que são criacionistas, e um outro bom número que, embora não seja criacionista, também não consegue aceitar a evolução como um fato. O que acontece é que entre os evolucionistas há um grupo muito barulhento, por razões filosóficas. Um grupo tão barulento que faz sua opinião parecer unânime.

Fato 8: os fatos inexplicáveis e deficiências do evolucionismo não provam o criacionismo. Nem é esse o ponto. Os criacionistas falam tanto sobre os problemas com o evolucionismo porque nos incomoda vê-lo assumir o status de verdade absoluta. A idéia é só mostrar que não há boas razões para se ter tantas certezas.

Fato 9: não achamos que os céticos, ateus e materialistas sejam enviados do demônio ou coisa parecida. Bom, eu pelo menos não acho.

Fato 10: listas com nove fatos são chatas, listas com dez fatos são legais.

Amanhã, a diferença entre criacionismo e design inteligente.

Mais sobre esses assuntos: http://michelsonborges.blogspot.com/search/label/criacionismo